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20/01/2010 23:38

O terremoto fez o mundo descobrir que o Haiti existe

O Haiti é um país latinoamericano apenas lembrado como o mais pobre dessa região do planeta. Às vezes é lembrado como um país cuja maioria da população é "afrodescendente" e os pouquinhos melhor informados quando muito lembram que o país é uma ex-colônia francesa...ah! sim! alguém lembra com algum esforço que o Haiti sofreu 30 anos de ditadura da família Duvalier, com o "Papa Doc" e "Baby Doc". Mas o cataclisma natural que destruiu o país o colocou no centro da mídia mundial e junto com ele surgiram (ressurgiram) das memórias fracas os velhos preconceitos e clichês que há mais de 200 anos são dedicados a esse pais insular que faz fronteira com outro país pobre: a República Dominicana.
Mas, segundo Eduardo Galeano que publicou no sítio "Agência Carta Maior" um belo texto intitulado Os Pecados do Haiti, esse país paga caro até hoje pela sua ousadia histórica de ser o primeiro país latinoamericano a em uma tacada só, abolir a escravidão e proclamar sua independência ante a França de Napoleão. O povo haitiano teve o "atrevimento" de reivindicar sua dignidade nacional, de exigir seu lugar de direito na história e esse "atrevimento" lhe custou caro, mas muito caro. É desse período da história latinoamericana que o preconceito racial contra esses "negros abusados" se cristalizou no imaginário das nossas elites. O "mundo branco e civilizado" jamais perdoou tal atrevimento. Como pode um povo pobre, esfarrapado e NEGRO impor uma derrota sem precedentes em ninguém menos que a França de Napoleão Bonaparte? Nunca demais lembrar que a França desse período bebia as águas liberais dos seus enciclopedistas e impulsionava de maneira muito forte a sua Revolução Francesa com o objetivo histórico de alcançar uma sociedade justa de "liberdade, igualdade, fraternidade". Mas essa trindade filosófica da Revolução Francesa era para franceses e quando muito para o mundo branco civilizado. Jamais para africanos, índios, "selvagens", "exóticos"...Mas o Haiti também queria liberdade, igualdade, fraternidade, e não só para seu país, mas para toda a América. Foi quando as elites de nossas comarcas começaram a perceber o perigo do exemplo que vinha das Antilhas e que poderia influenciar nossos oprimidos. Depois da sua libertação da França o Haiti nunca teve sossego. A Europa, e depois os Estados Unidos fizeram de tudo para recuperar o território haitiano, transformá-lo de novo em colônia açucareira, dilapidar suas riquezas e sua mão-de-obra.
Os Estados Unidos em nome do seu "destino manifesto" interferiu por diversas vezes, derrubou e colocou ditadores a seu bel prazer, planificou nos escritórios de Washington a fome e a miséria de milhões e o tal "mundo civilizado ocidental e cristão" cruzou os braços.
O terremoto da semana passada não chamou a atenção apenas pela destruição e pelo número de mortos, por sinal, nem foram contados ainda, mas revelou de maneira cataclismica que ali há um povo que merece ter reconhecida sua dignidade de nação. Os haitianos estão dizendo: nós estamos aqui e já faz muito tempo, e só com um tremendo terremoto a mídia mundial ouviu seu clamor.
enviada por Professor Moacir






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